29 Setembro, 2019Minério de ferro cairá para menos de US$ 40 por tonelada por começo de 'baleia' de Roy Hill, segundo o Citigroup

(Bloomberg) - A nova oferta de minério de ferro vinda da mina de Gina Rinehart, em Roy Hill, contribuirá para uma queda para menos de US$ 40 por tonelada no ano que vem, segundo o Citigroup Inc., que disse que a menor produção de aço na China também prejudicaria a commodity.

O projeto na região australiana de Pilbara, rica em minério, iniciará os embarques em outubro, e sua expansão para uma produção anual de 55 milhões de toneladas provavelmente terá um grande impacto sobre os preços, disseram vários analistas, entre eles Ivan Szpakowski, em um relatório. O rápido crescimento da produção se combinará com reduções na produção de aço na China para empurrar os preços para abaixo de US$ 40 no primeiro semestre, disse o Citigroup.

O minério de ferro tem recuado 20 por cento neste ano pela crescente produção de baixo custo e pelo cambaleante crescimento da demanda na China, e a adição de novas cargas vindas de Roy Hill ao mercado mundial de transporte marítimo poderia aumentar o excesso de oferta. O CEO da Roy Hill Holdings Pty, Barry Fitzgerald, disse aos repórteres na China na semana passada que o projeto está a caminho de atingir a meta de sua capacidade completa em quinze meses. O Citigroup descreveu a nova mina no relatório nesta segunda-feira como uma "baleia iminente" que levaria quase toda sua produção para a China.

"Uma queda mais significativa dos preços é provável no primeiro semestre de 2016, pois as usinas chinesas estão reduzindo a produção, ao passo que a oferta continua se acumulando", disse Szpakowski, que prediz uma queda para menos de US$ 40 por tonelada desde pelo menos julho. "A maior fonte de oferta incremental está vindo de Roy Hill".

Maior impacto

A matéria-prima com 62 por cento de conteúdo enviada para Qingdao caiu 0,2 por cento para US$ 56,86 por tonelada seca nesta segunda-feira, segundo a Metal Bulletin Ltd. O minério afundou para US$ 44,59 em 8 de julho, um valor mínimo recorde para dados sobre preços diários que remontam a maio de 2009.

Embora tenha sido projetado que a produção de aço na China se manteria constante durante os próximos dois meses apesar de muitas usinas terem registrado prejuízos, antecipava-se um declínio importante no primeiro trimestre do ano que vem, disse o Citigroup Inc. O país responde por cerca de 50 por cento da produção mundial.

Após décadas de crescimento veloz e uma expansão sem precedente na produção de aço, agora a maior economia da Ásia está se debatendo com um excesso de capacidade, pois uma desaceleração liderada pelas propriedades está paralisando a demanda. Dados publicados nesta segunda-feira mostraram que os lucros das empresas industriais chinesas tiveram a maior queda em pelo menos quatro anos.

Perdendo dinheiro

"As usinas de aço da China enfrentam algumas das piores condições da sua história, e atualmente a vasta maioria delas está perdendo dinheiro", disse o Citigroup. "As notícias de fora da China também são sombrias", disse o banco, mencionando um declínio acumulado no ano de 2,6 por cento na produção mundial fora da maior fabricante.

O Citigroup prognosticou neste ano que o minério de ferro cairia para menos de US$ 40 nos últimos três meses de 2015 diante do aumento da oferta e porque Roy Hill iniciará os embarques. Em contraste com as expectativas de um crescimento constante nas exportações australianas, os volumes têm sido voláteis neste ano, escreveu Szpakowski nesta segunda-feira, prevendo que os preços cairiam para cerca de US$ 50 nos próximos dois meses.

A bilionária Rinehart, cujo pai descobriu os depósitos de minério de ferro que hoje abastecem o setor de aço da Ásia, disse em abril que embora os preços tivessem afundado mais do que o antecipado em meio à superabundância mundial, eles não se manteriam baixos para sempre.